A Náusea da Timidez
Entredentes ela disse. Sou eu …
Não queria que todos ouvissem e olhassem descarados despindo-a da sua vergonha…
Agora, aos 26 anos, voltava a estar submetida a chamada de presenças e inquirições persecutórias! Nem queria acreditar! Ela que sempre primara pela mais vincada discrição.
Ao ouvir o seu nome chamado teve que erguer a cabeça para fazer a voz soar mais alto. Tão vermelha devia estar…
O formador das sessões olhava a audiência, numa primeira tentativa de decorar as caras, os tiques ou a timidez de cada um. Havia avisado que nenhum iria escapar às questões que iria colocar todos os dias, Todos os Dias! Ela sabia que se não lhe fosse nada perguntado hoje, amanhã seria certamente, e o rubor vermelhão subia de novo às faces escondidas, a sensação de “borboletas no estômago” começava a dar-lhe náuseas insuportáveis, incontroláveis… Tinha que ir à casa de banho, que vergonha! Como se não lhe bastasse já a ansiedade que sentia, teria que erguer outra vez a sumida voz para pedir licença… mas ainda se fosse para atender uma chamada telefónica, sempre daria aquele ar de pessoa com compromissos inadiáveis, para ir à casa de banho…, Oh meu Deus! Que vergonha!
Ela tentou uma, duas, três vezes ser ouvida pelo formador, mas só os colegas do lado percebiam qualquer som… imperceptível. Até que um deles pediu licença por ela… e lá saiu, ela… encurvada de pavor e pânico, ela. Ao ver-se na rua, tossiu violentamente como quem expele um ser odiável de dentro, ergueu a cabeça e seguiu adiante sem olhar para trás…
Não queria que todos ouvissem e olhassem descarados despindo-a da sua vergonha…
Agora, aos 26 anos, voltava a estar submetida a chamada de presenças e inquirições persecutórias! Nem queria acreditar! Ela que sempre primara pela mais vincada discrição.
Ao ouvir o seu nome chamado teve que erguer a cabeça para fazer a voz soar mais alto. Tão vermelha devia estar…
O formador das sessões olhava a audiência, numa primeira tentativa de decorar as caras, os tiques ou a timidez de cada um. Havia avisado que nenhum iria escapar às questões que iria colocar todos os dias, Todos os Dias! Ela sabia que se não lhe fosse nada perguntado hoje, amanhã seria certamente, e o rubor vermelhão subia de novo às faces escondidas, a sensação de “borboletas no estômago” começava a dar-lhe náuseas insuportáveis, incontroláveis… Tinha que ir à casa de banho, que vergonha! Como se não lhe bastasse já a ansiedade que sentia, teria que erguer outra vez a sumida voz para pedir licença… mas ainda se fosse para atender uma chamada telefónica, sempre daria aquele ar de pessoa com compromissos inadiáveis, para ir à casa de banho…, Oh meu Deus! Que vergonha!
Ela tentou uma, duas, três vezes ser ouvida pelo formador, mas só os colegas do lado percebiam qualquer som… imperceptível. Até que um deles pediu licença por ela… e lá saiu, ela… encurvada de pavor e pânico, ela. Ao ver-se na rua, tossiu violentamente como quem expele um ser odiável de dentro, ergueu a cabeça e seguiu adiante sem olhar para trás…

1 Comments:
ja pensaste ter como objecto pessoal um megafone?
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