segunda-feira, janeiro 16, 2006

O tom do elogio

Inevitável como constatar que há sol ou chuva é o facto de um dia ser “sexta- feira 13”. A expressão já ganhou aspas e óscares. Conotado como um dia de azar pela maioria, há os poucos que, ao contrário, arriscam jogar o euromilhões “não vá hoje o diabo tecê-las”.
Eu não sei se teve a ver com sorte mas o meu dia começou com o elogio de um lixeiro… sim, aqueles senhores que de manhãzinha varrem as ruas do lixo e das folhas das árvores que morreram secas, aqueles senhores que ninguém repara a não ser que nos digam “Está tão bonita!” no tom mais simples e sincero jamais ouvido…
Eu ia vestida para trabalhar, salto alto desequilibrado e uma saia justa. Nada de confortável, segurança 0.
De olhar apagado e cara esquecível demais, o Senhor que varria a rua disse-me isto logo de manhã e logo quando eu precisava. Assim, ouvi-me, para meu próprio espanto, agradecer um piropo quase enternecidamente.


“Lonely Sunday”

O Domingo à tarde fica ainda mais triste quando chove e quando não tem com quem ser partilhado. Espera-se pelo fim de semana com um frenesim assustador e é triste quando ele passa solitário por nós… é como se não houvesse preparação para a semana que vai entrar, não houvesse renascimento de forças, não houvesse coisas boas e divertidas feitas e partilhadas. Isto porque fomos nós sozinhos a ter um fds… com chuva e frio, num apartamento aquecido com alguém que só dorme ao nosso lado.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Como entendo tais palavras!
Já por vezes me vi enredada em pensamentos tão semelhantes.
O agrado por ouvir um piropo (ainda que de uma boca que acharia imprópria)
e o frio que faz por vezes (mesmo quando perto de um aquecedor que não o é).

Apesar da semelhança de pensamento a mestria ao expo-los já é não certamente a mesma!

Bravo autista escritora!!!!
Já me fizeste tua fan!!

10:16 p.m.  

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