Acerca de uma senhora
Deonilde tem noventa e cinco anos. Nasceu no século passado. Os homens eram perfeitos cavalheiros e usavam chapéu com o simples propósito de o tirarem na presença das senhoras. Deonilde fora muito bela, de olhos fundos. De claridades marinhas e luminosidades tais que só poderiam ter existido no século passado.
Hoje tem noventa e cinco anos e um acidente cardiovascular que data da era dos computadores. Senta-se eternamente num cadeirão da sala das visitas.
Os netos e bisnetos rodopiam à sua volta ao ritmo dos dias de hoje e Deonilde espera por visitas que a cumprimentem de chapéu na mão e tão lentamente quanto a sua beleza o exige.
Pousa as mãos sobre o colo e fala sozinha. Baixinho. Segredos que ninguém tem tempo para ouvir. Palavras que já ninguém usa.
Um xaile negro sobre os joelhos e o eterno sorriso das visitas.
Foi casada com um oficial da marinha e o seu irmão fora médico nos Açores no tempo em que as visitas aos doentes eram feitas a cavalo.
O seu irmão tivera um cavalo negro com o qual cruzou o nevoeiro húmido do Faial vezes sem conta. Morreu aos oitenta e dois, faz agora seis anos.
Deonilde espera que a morte a visite. Fala do seu irmão nos Açores. Fala do marido morto no seu uniforme de oficial. A sua vida é toda no passado e já não há razão para estar viva. Ninguém ouve.
Hoje tem noventa e cinco anos e um acidente cardiovascular que data da era dos computadores. Senta-se eternamente num cadeirão da sala das visitas.
Os netos e bisnetos rodopiam à sua volta ao ritmo dos dias de hoje e Deonilde espera por visitas que a cumprimentem de chapéu na mão e tão lentamente quanto a sua beleza o exige.
Pousa as mãos sobre o colo e fala sozinha. Baixinho. Segredos que ninguém tem tempo para ouvir. Palavras que já ninguém usa.
Um xaile negro sobre os joelhos e o eterno sorriso das visitas.
Foi casada com um oficial da marinha e o seu irmão fora médico nos Açores no tempo em que as visitas aos doentes eram feitas a cavalo.
O seu irmão tivera um cavalo negro com o qual cruzou o nevoeiro húmido do Faial vezes sem conta. Morreu aos oitenta e dois, faz agora seis anos.
Deonilde espera que a morte a visite. Fala do seu irmão nos Açores. Fala do marido morto no seu uniforme de oficial. A sua vida é toda no passado e já não há razão para estar viva. Ninguém ouve.

2 Comments:
est@ bel@ escritor@ tem q se revelar e assinar...escreve muito bem, estou extasiad@ com esta escrita. parabens autista sejas tu quem fores...
para que foram chatear a velha?
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