sábado, fevereiro 25, 2006

San Sebastian e as Couves Galegas

Acordo com o telemóvel, são duas e trinta da madrugada, do outro lado da linha, a minha mãe chora com medo de morrer. Falamos durante algum tempo, não sei o que lhe diga. Não tenho jeito para clichês e barrico-me teimosamente na certeza de que ninguém morre.
Sábado de manhã e toca o telefone, morreu a minha antiga professora de história, vizinha e amiga. Vítima de doença prolongada.
Considero-me desde já e torno pública a informação, estou absolutamente farta de cancros!
Dou por mim a pensar nos quintais de couves galegas que por várias vezes vi a caminho de Guarda. Fui por umas duas vezes de carro percorrer a costa basca e os quintais de couves galegas perto da fronteira portuguesa deixaram-me para sempre a idéia nostálgica de que deixar o meu país tem alguma coisa a ver com couves galegas.
Faz falta a terra em que esses monumentos cresçam espontaneamente. Faz falta uma casa no campo em que as pessoas morram alegre e pateticamente de morte natural, vagamente caquéticas.
Quero ir-me embora. Aceitam-se patrocínios.
Convém acrescentar, em abono da verdade, que este é um texto sem pretenções literárias, um mero desabafo xaroposo .

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Também quero ir

11:48 a.m.  

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