segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Casa Mota

Chovia torrencialmente e o vento arrastava sacos plásticos, ramos de árvore e outros detritos. Sinceramente, talvez não coubesse na cabeça de ninguém ir passear para a marginal da praia. Coube na nossa. Fomos parar, domingo à tarde, à Casa Mota, onde o Senhor Mota se lembra muito bem dos meninos e a D.ª Graça vai fritar um peixinho e o filho dos dois recorda episódios distantes. É bom ser tratado nas palminhas numa taberna de Buarcos. A parte de cima é agora um restaurante bonitinho, mas na cave, a mesa comprida de madeira ainda é a mesma. E os pescadores sentados à frente de pratinhos de feijoada também, habituados a "esta malta nova que gosta de comer e beber". Buarcos ainda faz parte do nosso imaginário, a Casa Mota também. Estamos todos mais velhos, encontramo-nos menos vezes, mas quando acontece, é bom. Lembrámo-nos entre risos da minha bicicleta, veículo comunitário que resistiu mal aos nossos ímpetos. O T. é pai e continua surdo que nem uma porta. Há uns anos, jogávamos basquete, antes de vir para aqui. O Paulo trouxe uma namorada muito bonita, de Lisboa e a certa altura o Vitó tinha a língua enfiada na boca dela. Coitado do Paulo, nunca teve muita sorte. Quanto ao Vitó, sempre teve a capacidade de nos entreter... Enquanto o Sr. Mota não fechar a casa, havemos de gostar das tardes de Domingo. É quase noite quando nos separamos, que a segunda-feira toca a todos como uma moléstia. Hoje a boca sabe-me vagamente a papel de jornal, mas não faz mal - il faut s'y faire...