terça-feira, fevereiro 14, 2006

Cheira a laranjas e a desespero

Ainda não é noite mas está quase. Cheira a laranjas e a desespero. Intimamente, como o cheiro íntimo de um braço em repouso, como o cheiro íntimo da pele do rosto ou do fundo das costas. Anoitece vagamente e as dunas da praia são ancas largas, despidas. Hipoteticamente inertes. Sente-se o nevoeiro na ponta da língua, os cabelos colados a toda a largura do pescoço e sempre o vento. Cheira a algas e a dias de procissão, cheira a fé e a promessas. Não se vê nada, por entre a tarde gasosa. E é quase noite. Vê-se o suficiente, para antever os gritos das gaivotas, os barcos à barra e um sorriso brando na boca de algumas pessoas.
Penso em ti, deixo arrefecer o café e digo que o mundo é bonito.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

o conforto do outro sabe sempre bem, principalmente quando anoitece...

2:43 p.m.  

Enviar um comentário

<< Home