quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Histórias banais

Histórias banais. Rodeava a vida de banalidades. Fingia todos os sonhos que poderia realmente ter sonhado e sorria a enganar as horas.
A sua passagem pela vida era o substituto do que poderia ter sido a sua vida. E as lágrimas amargas que não se dava o prazer de chorar corroíam por dentro todos os seus projectos.
Histórias absolutamente banais: uma mulher sozinha no meio de uma trovoada. Um homem a chorar no banco de um comboio em marcha. Uma criança cega.
Faltava-lhe ainda concluir os dias.
Uma faca afiada brilhando convulsa na noite. Os seus dedos - a mágoa dos seus dedos a descer pela lâmina e nem assim chega.
Cambaleia inexpressivo pela avenida. Junta-se à multidão sagrada dos bêbados e dos permaturos do destino. Passa. Passa assustado. Pára sem se resolver. O rosto escondido na orla do casaco.
Passa veloz agitando a noite e são só sombras o que produz.
Sombras e o gume de uma navalha. Que não sabe ao certo para que lhe serve mas que lhe faz companhia ao hábito de ser em tudo covarde.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

...o hábito de ser em tudo covarde...

7:42 p.m.  

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