domingo, julho 23, 2006

Kodak Chrome

O clic do obturador como o disparo de um revólver. Parei-te. Um momento. És exacto do que eu quero. Só que eu não quero. Conserva-te estático. Amarelece no papel uma vez que não hás-de permanecer na minha vida. Uma vez que não permanecerás nunca intacto. O clic do obturador, o ruído do manípulo que enrola a película. Confesso que me agrada, versejar sem palavras, como um fantasma ideal, ausente na vida de todas as pessoas. Preparar o instante em que largo os dedos num espasmo da vontade. Tenho um olhar vagabundo, perfurando a carne, revelando o medo. Tenho um olhar vagabundo, vagamente clínico, um nada obsceno: já não espero ser perdoada... O clic do obturador como o disparo de um revólver...