domingo, janeiro 22, 2006

Do ventre do mundo. Saído do ventre do mundo.
Poema de todos os poemas. Poema de todos os poetas. Centro do mundo.
O ventre da Terra. Tumefacto. Na orla das ondas. O ventre da terra exala ainda um poema. Uma conjugação efectiva de palavras.
Há uma mulher de negro. Benze-se.
É meio-dia. É de Inverno.
Há um homem morto na borda do oceano.
Dobram ao longe os sinos na aldeia.
No mar persiste a memória das caravelas.
Uma memória oblíqua. Eu abro as mãos ao vento.
Jardins da minha infância! Jardins onde eu nunca estive! Como tenho de todos eles uma memória salgada...
Da ressaca das ondas nasce ainda um poema... Prematuro.
Absoluto de virtudes.
Amoral como o meu destino.
Eterno de tempestades.