segunda-feira, outubro 16, 2006

Regresso

Tinha-se, entretanto, passado muito tempo. Caminhava obstinada, debaixo de uma chuva miudinha, um desses dias em que tudo é anónimo e frio. Seguia porque tinha medo de chegar e não encontrava outro paliativo senão dar passos, abordar o medo, circular a fome. Temia que o local a já não reconhecesse, que o ranger do soalho não se lhe acomodasse à curva do calcanhar, que as janelas não lhe devonlvessem o reflexo. Temia já não pertencer, e, quando levou a chave à porta e a empurrou, prendeu a respiração. Afinal não era nada... Podia respirar fundo e dizer que tinha chegado a casa.