medo de sofrer \ medo de crescer \ medo de ser feliz
Mais uma vez a dor adormeceu… mais uma vez vendi-me… como tantas outras vezes…! Falo disto já livre da tristeza, é este o resultado da venda! É sempre assim, não consigo fugir. Não tenho força! Parece que prefiro este sorriso cego e seco, no sentido de que nada de novo vai daqui sair! É apenas não estar mal e ás vezes exageradamente sorridente, porque ansiosa, porque nunca verdadeiramente bem! Parece que é isto que consigo, em vez de pelo menos tentar o caminho que eu sei que me levará à verdadeira evolução, mas o que consigo seguir é o menos difícil!
Ser Pessoa é arriscar, então o que somos nós humanos? Que nos resignamos ao mais simples que podemos ser, ao mais fácil que podemos escolher, que tememos só de pensar no que podemos vir a ser, no esforço e escolhas que teríamos que tomar…! No que teríamos que crescer… e é tão difícil crescer…

3 Comments:
Somos qualquer coisa em potência. A qualidade que nos separa das restantes bestas não é inata, adquire-se.
apenas somos a possibilidade de...
Alexandre O' Neill explica:
Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensangüentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti
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