terça-feira, abril 25, 2006

Ao A. numa noite de Abril

“His got a thousand talents (…)
Aristocratic parents

A REBEL WITH A HEART OF GOLD

Said he’s a poet, this time is gonna blow it, ‘cause he’s dancing with his EGO” – Placebo - Flesh Mechanic


Era como se um dia fosse a casa de uma velha amiga morta, ou se fosse, por acaso, colher espargos ao campo, bem perto das rochas do Ninho da Cegonha…

Eu sei que nesse dia olhei demais para ela e senti um calor atroz invadir-me o pescoço…

As horas passavam devagar e o tempo de Verão instalado demais para mim… não sabia o que pensar, só me senti mal, porque vi-a sair de casa de guarda-chuva verde na mão---e nunca percebi porquê!

Sinto que o meu olhar é poderoso demais para estar fechado. Fecharam-mo neste canto cinzento demasiado cedo….

Talvez devesse ter entendido mais gente, às vezes queriam falar e eu não ouvi nada
Por vezes ninguém entendeu … nada…
outras entendi tudo… sem ouvir sequer!

Carolina… Desaparecida…

Tu nunca me vieste visitar aqui… nem percebo bem porquê!?
Estarei assim tão fechado?

Há pouco soube que sim, Carolina Desaparecida! Estou tão fechado quanto podia estar… tão sozinho que poderia engendrar perfeitos homicídios!!!
Basta o escuro de um quarto para se sonhar com o odor da dor!

E aqui teimam em deixar-nos escuros… sempre foi esta a cor

“When I was arrested I was dressed in BLACK” – O Jonhy C. …

Não me lembro da manhã da Zambujeira do Mar, não me lembro de acordar e dizer amo-te, não consigo alcançar a minha música preferida, nunca te disse vamos passear na areia fria da praia onde o mar toca a terra com timidez.

Carolina Desaparecida demais para me vir visitar! O olhar azul petróleo ofusca-a…

Não me lembro do sol da Zambujeira depois de dançar…
Não alcanço a música que sei que ouvi.
Não tolero a dor de não entender o que fiz!